|
| ||||||
|
| ||||||
|
|
CIÊNCIA E SAÚDE APRESENTA |
|
|
Quando deparamos, geralmente em textos do Livro Sagrado,a Bíblia, com a citação histórica:
|
... nos tempos do Rei Herodes. |
alguma dúvida surge em nossa mente!
Afinal, quem foi esse Rei Herodes apontado por São Mateus?
Na verdade, nada menos de três Herodes tiveram papel de certo destaque na História do Cristianismo.
Muita tinta já foi gasta para narrar as torpezas desses três monarcas, que enegreceram as páginas da História. Na própria WEB encontramos muito material para estudos e pesquisas.
Todavia, apreciaríamos divulgar para os nossos visitantes do site Livro Ciência e Saúde, um texto extraído do livro A Estrela dos Reis Magos, de Malba Tahan, Coleção Saraiva, 1964, o qual acreditamos sinceramente que irá acrescentar mais subsídios aos pesquisadores e estudiosos dos fatos bíblicos. No texto acrescentamos (em itálico) algumas observações extraídas da Bíblia de Estudo Plenitude (Almeida Revista e Atualizada) editado pela Sociedade Bíblica do Brasil.
Malba Tahan é o pseudônimo de Júlio César de Mello e Souza, nascido em 06/05/1895, uma segunda-feira, na cidade do Rio de Janeiro, viveu em Queluz, SP, e morreu em Pernambuco, Recife em 17/05/1974, uma sexta-feira.
Com um trabalho transcendental, inúmeras obras publicadas, um verdadeiro orgulho para todos, principalmente para nós brasileiros, natural que encontremos, agora com o advento da internet, páginas e paginas sobre Malba Tahn; para não cairmos numa repetição inócua de sua biografia, escolhemos três domínios que no nosso entender divulgam e completam, de uma maneira objetiva , o perfil do grande mestre. |
|
OS TRÊS HERODES | |
|
O PRIMEIRO HERODES O primeiro Herodes, citado por São Mateus (2.1), é Herodes, o Grande, que reinou na Judéia depois de Antígono.
Era filho de Antipater, aliado de Hericano, rei dos judeus. Amparado pelo prestigio de seu pai, recebeu Herodes o trono das mãos de Marco Antonio, no ano 40 antes de Cristo. Poucos tiranos houve, no Oriente, mais cruéis e mais torpes do que esse pérfido idumeu. Mereceu o honroso cognome de "o Grande", por causa de alguns magníficos monumentos que fez construir na Judéia. Os seus crimes, porém, o apontam à execração de todos os homens. Assassinou (por ciúme) sua esposa Mariana e mandou degolar dois de seus filhos, acusando-os de participarem de suposta conspiração. Com receio de que houvesse nascido, em Belém, aquele que deveria derrubá-lo do trono mandou matar todos os meninos menores de dois anos, pois acreditava que o Messias estivesse incluído entre os inocentes. Foi um individuo que, além de perverso, era covarde e sem caráter. Ingrato e mau. Morreu quando eram feitos, em Jerusalém, os preparativos para a festa da Páscoa do ano 5 a.C. (5) O monstro completava, então, setenta anos de idade (6) A matança dos inocentes O tristissimo episódio da Matança dos Inocentes já tem dado margem para muitas lendas e curiosas fantasia. Informações seguras encontramos em Truyols, S. J., (Ob. cit. pág 69): Alguns autores (São Pascácio e a Liturgia Eiópica) firmados no Apoc. 14,1 fazem subir acerca de cento e quarenta e quatro mil o número de meninos sacrificados (7). Certa tradição interpreta o grego Oriois, no sentido de aldeias, entre as quais incluída a pitoresca Ain-Karim, torrão natal do Batista, que floresce a sete quilômetros de Belém. Ora, dentro dessa hipótese, pouco aceitável, muito elevado sereia o número dos pequeninos martirizados pelos sequazes de Herodes. Não há dúvida, porém, que o aludido termo grego refere-se, apenas, aos arredores de Belém e não às cidades e aldeias vizinhas. Belém, no tempo de Herodes, teria no máximo mil habitantes e o número de crianças (do sexo masculino), de idade abaixo de dois anos, seria, no máximo, trinta e sete. Foi, pois, esse o número de meninos assassinados pelo cruel idumeu (8) De acordo com o parecer do erudito teólogo Cônego Crampon, o número de trinta e sete, indicado por Truyols, para exprimir o total dos meninos assassinados, estaria um pouco afastado da verdade. Foram quinze ou vinte, apenas, as crianças sacrificadas, em Belém, pelo sanguinário Herodes (9). Entre as crianças assassinadas pereceu um filho de Herodes que se achava, por ocasião da matança, em Belém. Esse caso é relatado por Giovanni Papini em sua História de Cristo.
| |
|
O SEGUNDO HERODES
| |
| Passemos ao segundo dos três Herodes que se tornaram
famosos na História do Cristianismo.
O segundo Herodes, chamado Herodes Antipas, era filho de Herodes, o Grande. Logo que ocorreu a morte do famigerado e tão temido Herodes, o Grande, o reino foi dividido. A Judéia e a Iduméia ficaram com Arquelau, também filho de Herodes, o Grande; a Herodes Antipas coube a Galiléia e a Peréia. Esse segundo Herodes, homem de péssimo caráter, egoísta e mau, achava-se, certa vez, em Jerusalém, no tempo de Pilatos, e recusou-se a julgar Jesus, alegando que nada tinha a ver com as acusações feitas ao "Galileu" pelo Sinédrio. Casou-se, ilegalmente, com Herodíades, sua sobrinha e ex-esposa de seu irmão Herodes Filipo (10). Para atender a um capricho de sua enteada, e também sobrinha, Salomé, Herodes Antipas mandou degolar São João Batista (11) |
|
O TERCEIRO HERODES
|
| O terceiro Herodes, apelidado Agripa, era neto de
Herodes, o Grande, filho de Aristóbulo e, portanto, irmão de Herodíades.
Foi, com apoio de Roma, elevado ao trono da Judéia. Para ampliar sua
popularidade entre os pagãos e judeus, e reafirmar-se na confiança de
César, ordenou a morte de São Tiago (que foi degolado) e determinou a
prisão de São Pedro.
Inúmeras foram as torpezas e ignomínias praticadas por esse tirano. |
Segue a numeração original:
(5) Para um estudo mais completo, indicamos, na monumental obra de U. HOLZMEISTER, S. J., La Sacra Biblia (Roma 1950), o capítulo de alto conteúdo histórico: I primi successori de Erode.
(6) No ano 5 ou 4 a.C. Assim opina TRUYOLS, S.J. Veja TRUYOLS, V., 19.
(7)
| Apoc. 14.1: Os cento e quarenta e quatro mil simbolizam todos os santos tendo na fronte escrito o seu nome e o nome de seu Pai. |
(8] Cf. TRUYOLS, V., pág. 69. Veja nota 4.
(9) Cf. CRAMPON, La Sainte Bible, Paris, 1951
(10) Herodes Antipas é várias vezes citado no Evangelho de S. Lucas (23.8 e segs.)
|
Jesus perante Herodes Lucas 23.8: Herodes, vendo a Jesus, sobremaneira se alegrou, pois havia muito queria vê-lo, por ter ouvido falar a seu respeito; esperava também vê-lo fazer algum sinal. |
Este evangelista cita, também, Herodes, o Grande.
|
Zacarias e Isabel Lucas 1.5: Nos dias de Herodes, rei da Judéia, houve um sacerdote chamado Zacarias, do turno de Abias. Sua mulher era das filhas de Arão e se chamava Isabel. |
Herodes Antipas, que interrogou Jesus, diante dos escribas e sacerdotes (Lucas 23.8) governou pequenos territórios na Palestina até o ano 33. Cf. Padre LINCOLN RAMOS, Os Quatro Evangelhos, pág. 258.
Herodíates, esposa de Filipo, era filha de Aristóbulo e Berenice e neta de Herodes, o Grande. Importa, pois, em dizer, que Herodiades era sobrinha de seu primeiro marido. Ambiciosa e impudica, divorciou-se de Filipo (que se achava decadente) para se casar com seu tio e cunhado Antipas, que era tetrarca da Galiléia.
(11) A beleza nefasta de Salomé e a morte trágica de Batista, tem inspirado muitos dos nossos mais imaginosos escritores. O Sr. FRANCISCO GERALDES FILHO, por ex., nos quatorze versos de um soneto descreve o escandaloso bailado de Salomé na festa oferecida ao grande Tigelino (sic).
E no fim, conta o poeta, sempre atropelando a verdade histórica, o tetrarca latino (sic) oferece à sedutora enteada belissimo anel no qual cintilava um rubi oriental, jóia de alto preço. Que fez a pérfida Salome?
Escreve o Sr. Geraldo Filho:
- Não, respondeu, não quero pedra escarlata.
Vamos, cumpre a palavra, aquilo que eu desejo é a cabeça do João numa salva de prata.
Esse soneto, do qual só destacamos o primeiro terceto, figura no livro Messe Perdida (Rio, 1950, pág. 78)
| Home | O Começo de Tudo | Doces Recordações de MBE | Coletânea | Sinopse | Complementos | Link´s |